| Revista Mente & Cérebro - edição 171 - Abril 2007 Santas e anoréxicas | ||||||
| Na idade média, gordura era sinal de prosperidade e beleza. Tal exuberância causou indignação entre jovens religiosas, que passaram a recusar alimento | ||||||
| por Moacyr Scliar | ||||||
Estes conceitos mudaram radicalmente. Obesidade, sabe-se hoje, predispõe a doenças. O obeso é, não raro, olhado com irritação; afinal, comer é uma forma primária, e fácil, de gratificação; remete à oralidade da infância. O obeso ocupa espaço, num mundo em que a expressão “estou buscando meu espaço” é constantemente repetida. Obesidade gera culpa e é combatida com providências às vezes drásticas. Mulheres jovens, sobretudo, restringem dramaticamente a ingestão de alimentos, não raro chegando à anorexia nervosa, uma situação que, entre parênteses, só no século XIX foi rotulada como doença. Uma doença para a qual chamaram a atenção os óbitos da cantora americana Karen Carpenter e, mais recentemente, da modelo brasileira Ana Carolina Reston Macan. A anorexia começou a se tornar visível no início da Idade Moderna. Depois de séculos de pobreza medieval, a Europa entrou num período de prosperidade: as pessoas das classes mais elevadas passaram a se vestir bem, morar bem, comer bem – e muito. A gordura era sinal de prosperidade e, nas mulheres, de beleza, como mostram os quadros de Rubens (1577-1640). Esta exuberância suscitou protestos que, sobretudo entre religiosas jovens, tomaram a forma de recusa do alimento. Um exemplo clássico é o de Santa Catarina de Siena. Nascida em 1347, ela foi educada por uma mãe dominadora, com quem tinha uma relação conflituosa. Muito cedo começou a ter visões místicas e, a partir daí, passou a recusar o alimento e a se flagelar. Só comia alguns vegetais e frutas para não chocar demasiadamente as pessoas com quem convivia. A fragilidade de seu corpo antecipava uma morte precoce e, de fato, faleceu aos 33 anos. Já Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607) via a vontade de comer como tentação do Diabo; Santa Rosa de Lima (1586-1617), além de jejuar, usava cilício e dormia em cama forrada de cacos de vidro, espinhos e pedras. Às sextas-feiras, dia da Paixão de Cristo, Santa Verônica Giuliana (1660-1727) ingeria apenas cinco sementes de laranja, evocando as cinco chagas de Jesus. Séculos depois, movida por motivação similar, uma escritora francesa também ficaria conhecida pela anorexia: Simone Weil (1909-1943). De uma culta e abastada família judaica, Weil muito cedo tornou-se militante esquerdista e foi trabalhar como operária numa fábrica: penosa experiência, que retratou em La condition ouvrière (A condição operária). Deixou o judaísmo e passou a praticar um cristianismo peculiar, místico. Seu ascetismo manifestava-se na recusa de alimentos, coisa que aliás vinha desde a infância: aos 5 anos negava-se a comer açúcar, porque o uso do produto era racionado entre soldados franceses que lutavam na Primeira Guerra. Durante a Segunda Guerra, exilada nos Estados Unidos, limitava-se a ingerir o equivalente das rações dadas aos seus concidadãos na França ocupada: sentia-se culpada por ter alimento quando tanta gente passava fome e por ser poupada da guerra enquanto tantos soldados morriam. Seguiu-se a desnutrição, agravando a tuberculose de que já sofria; e, por fim, faleceu em Londres, onde tentava participar da resistência contra os nazistas. Sua trágica existência, mostra, entre outras coisas, que o alimento pode ter um aspecto simbólico importante. Tão importante que às vezes é capaz de ceifar vidas. | ||||||
| Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/santas_e_anorexicas.html | ||||||
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Santas e anoréxicas - Gordura como sinal de beleza
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Armadilhas da obesidade - Parte 2
| Armadilhas da obesidade - Parte 2 | ||||||
| Mecanismos cerebrais que regulam o prazer da alimentação, a fome e a sensação da saciedade são muito semelhantes aos que influem na dependência de drogas como álcool e cocaína. | ||||||
| por Oliver Grimm Oliver Grimm é psiquiatra do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, Alemanha | ||||||
| [continuação] MARKETING AGRESSIVO O sucesso da indústria de fast-food não deixa dúvidas de que o comportamento alimentar é facilmente influenciável por estímulos externos. Entender o que se passa no cérebro dos gulosos certamente ajudará a desenvolver estratégias terapêuticas mais eficazes para a luta contra a epidemia global de obesidade. De fato, alguns medicamentos usados na terapia contra o abuso de drogas têm ajudado pacientes obesos a manter a boca fechada por mais tempo. Antagonistas opióides (que neutralizam o efeito da morfina) como naloxone e o naltrexone, oferecem bons resultados. Drogas bloqueadoras dos receptores canabinóides também ajudam a controlar a compulsão alimentar. No entanto, não há pílula mágica e na maioria dos casos a perda de peso é lenta. Estudo de 2005 realizado pelo endocrinologista Luc Van Gaal, do Hospital Universitário da Antuérpia, Bélgica, concluiu que esses medicamentos fizeram os pacientes perder em média 7 kg por ano, ao passo que aqueles que tomaram placebo perderam quase 2 kg no mesmo período. Obviamente, emagrecer apenas com remédio é uma ingênua pretensão. Mudar os hábitos alimentares, de preferência com o acompanhamento de um nutricionista, é a combinação que proporciona melhores resultados. Mas é fácil falar... Tantos os dependentes químicos quanto os obesos são estigmatizados pela sociedade, em parte por causa da crença muito disseminada de que abusar de comida ou de substâncias psicoativas é algo completamente sujeito ao controle voluntário - o que não é verdade. Hoje, obesidade e abuso de drogas são considerados distúrbios multifatoriais com forte presença de componentes genéticos. Até 60% da predisposição à dependência química e cerca de 50% dos casos de obesidade podem ser atribuídos a causas hereditárias, apoiadas por fatores subjetivos e ambientais. Vários estudos já identificaram mutações igualmente importantes para a obesidade e a dependência, embora se saiba que a expressão de ambas depende da participação de vários genes. Mas como não somos apenas produto de nossa carga genética, a interação com o meio é o que dá contorno ao quadro epidemiológico atual. Além da enorme oferta de alimentos de alto conteúdo calórico a preços muito acessíveis, os pesquisadores apontam o stress como um poderoso fator ambiental associado à propensão ao comportamento compulsivo relacionado tanto a drogas quanto à comida. Crianças estressadas, por exemplo, têm maior risco de ficar obesas ou de usar drogas na adolescência ou no início da vida adulta. Além dos aspectos psíquicos, genéticos e psicossociais, também microorganismos podem influenciar as possibilidades de uma pessoa ser gorda ou magra. Segundo pesquisas recentes, a flora intestinal dos obesos tem maior proporção de microorganismos que ajudam na digestão dos alimentos. Estudos com camundongos sugerem que a obesidade poderia ser contagiosa. Quando certas bactérias foram transplantadas de animais gordos para outros magros, em pouco tempo os últimos aumentaram a quantidade de gordura corporal. - Tradução de Saulo Krieger
Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/armadilhas_da_obesidade_5.html |
sábado, 21 de janeiro de 2012
Armadilhas da obesidade - Parte 1
Revista Mente & Cérebro - edição 169 - Fevereiro 2007
| Armadilhas da obesidade | |||||||||||||
| Mecanismos cerebrais que regulam o prazer da alimentação, a fome e a sensação da saciedade são muito semelhantes aos que influem na dependência de drogas como álcool e cocaína. | |||||||||||||
| por Oliver Grimm | |||||||||||||
Porém, não basta atribuir à vontade do indivíduo todo o ônus de manter uma alimentação saudável. Hábitos alimentares são resultado de forças orgânicas e psíquicas que estão, em grande parte, fora do alcance de nossas decisões conscientes. Qualquer pessoa que já fez dieta sabe disso. Hoje a obesidade é um dos grandes problemas de saúde pública mundial; o acúmulo de gordura corporal é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só na Europa morrem todos os anos cerca de 250 mil pessoas em decorrência dos maus hábitos alimentares. No Brasil, 27 milhões de pessoas estão acima do peso e quase sete milhões são obesos. A identificação da leptina, um peptídeo secretado pelas células adiposas e que desempenha um papel-chave na regulação do apetite e do metabolismo energético, foi um dos grandes marcos na pesquisa da obesidade. Descoberta em 1994 pelo biólogo Jeffrey M. Fridman, da Universidade Rockefeller, a leptina interage com receptores situados no núcleo ventral medial - região do hipotálamo conhecida como centro da saciedade -, sinalizando quando já se comeu o suficiente. Em condições ideais, o aumento dos depósitos de gordura produz sinais que inibem a ingestão de alimentos. Nos obesos, porém, há uma disfunção nessa retroalimentação mediada pela leptina.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Gordosfera da Women's Health
Ninguém pede para nascer gorda ou magra, assim, nos adaptamos ao que temos e ao que somos. E esse adaptar diz respeito ao que esta se tentando fazer hoje, hoje as empresas estão tentando se adaptar ao mundo das ‘fat ladies’.
Alguns escritores estão afirmando que a ‘adoração’ ao plus size está fazendo com que as pessoas engordem, é um absurdo! As brasileiras engordaram antes do estouro da "gordosfera" nos últimos dois anos. Isso vêm de tempos.
O aumento de obesos no Brasil diz mais respeito ao maior poder aquisitivo das pessoas do que à moda propriamente dita. Hoje os brasileiros têm mais dinheiro para comprar comida ou mesmo satisfazer pequenos prazeres, isso sim, justifica o ‘engordar’ da população brasileira e não a moda. É um ponto de vista ignóbil, desinformado.
Bem, desde quando recebi a revista quero postar o artigo. Sempre achei que ela era preconceituosa e só voltada para a beleza e saúde de mulheres magras. Enfim a revista Women's Health colocou uma reportagem sobre as GG’s, colocando algumas formas de pensar de especialistas. Aí vai um resumão.
“Tamanho não é documento” (página 59, edição nº 21 de Julho de 2010)
Mas achei ridículo eles fazerem o chamado como “A GORDOSFERA CONVOCA GORDINHAS A FAZER AS PAZES COM O ESPELHO”
GORDOSFERA? Para mim isso é pejorativo!!!
O artigo é bem propício para alarmar as pessoas sedentárias (como estou hoje). Quem não faz exercício corre maior risco de desenvolver diabetes, enxaqueca, problemas musculares, pressão alta, problemas esqueléticos, de articulação, etc.
Eles dizem que o risco de se desenvolver pressão alta e diabetes dobra a cada 8Kg acima do peso normal.
Contudo, nem tudo são espinhos. Em um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Medica Americana), mostra que pessoas com sobrepeso têm índice de mortalidade mais baixo que obesos, magros e até quem tem peso normal”. Claro não vale generalizar né, mas quilinhos a mais favorecem a resistência a infecções e facilita na recuperação de cirurgias e ferimentos.
O autor do livro “Grandes Metirosos: A verdade sobre o seu peso e a sua saúde” (Big Fat Lies: The truth about your weight and your health), Glenn Gaesser, afirma que uma pessoa gorda pode ser tão ou mais saudável que uma pessoa magra, o que detona a saúde não é a obesidade, mas o estilo de vida imprudente com dieta pobre em nutrientes e vida sedentária.
Já para o diretor do Departamento de Obesidade da sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), um obeso ativo está mais bem posicionado que um sedentário, mas falar que ele é saudável é tapar o sol com a peneira.
Concordo com ele, pois é o que meu gineco diz, hoje eu estou com a saúde plena, sem colesterol alto nem diabetes, mas se eu continuar assim, tudo pode mudar. E o pior é quando o corpo trabalha com sobrecarga por muito tempo, ou mesmo quando vive num engorda e emagrece engorda, numa hora o coração se esforça noutra não, isso é terrível e seu coração pode não suportar por muito tempo.
Já digo hoje que minha coluna não me agüenta mais, ando qualquer 500 metros e minha lordose me mata (isso quando não faço exercício). Já consultei Ginecologista, Ortopedista, Cardiologista e todos são unânimes, você tem que emagrecer o quanto antes, pela sua saúde. Mas me diz você amiga, é fácil? Para mim por enquanto não está sendo!
Enfim, a reportagem é muito interessante, ainda mais por se tratar de uma revista que só mostra beldades e coisas saudáveis. Por sinal vale à pena assinar traz muitas reportagens interessantes para todas!
Beijos, Beijos, tenham uma ótima terça!!!!
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